Um pouco de tudo

Passeios de moto e carro por São Paulo – 02

É meus amigos. Depois de uma longa temporada fora do blog, estou de volta. Este sempre foi um blog para eu falar um pouco de tudo (tá na descrição né?), mas confesso que um dos poucos posts que fizeram sucesso foi o sobre os passeios de moto. Eu realmente adorei fazer aquele post mesmo sendo um inicial, de um caminho incompleto mas com boas expectativas e com boas fotos para recordação.

Meu projeto era continuar com os passeios mas algumas coisas mudaram nesses anos posteriores ao post. Eu já sofri alguns acidentes de moto, já não estou mais com ela (saudades da liberdade), mas agora retomo os passeios. Alguns roteiros serão os mesmos que antes mas agora farei de carro. Há vantagens e desvantagens nessa nova abordagem, mas espero continuar contribuindo e deixando algumas dicas diferentes.

Com o carro, a busca por caminhos vai ser mais por estradas sinuosas, mas como contarei logo abaixo, meu imã para caminhos diferenciados continua firme e não foi diferente. Tendo um carro comum assim como também minha moto era uma street, nada do que farei estará fora do alcance de qualquer um. Bom vamos ao que interessa.

Busca por estradas sinuosas.

Quem curte como eu, pilotar ou dirigir pelo simples prazer vai entender que o que busco não é o lugar em si mas a jornada e as paisagens pelo caminho. Num carro, se a estrada oferece alguns desafios sinuosos, isso também é muito bem vindo. Nessa busca, eu encontrei um site com uma lista das estradas mais sinuosas do Brasil e para a minha sorte, muitas delas aqui no estado de São Paulo. São diversas estradas como a estrada dos Romeiros que vai para Itú, a Rodovia Oswaldo Cruz que desce para Ubatuba, a Rodovia Floriano Peixoto que vai para Campos do Jordão entre muitas outras.

Estrada das Pitas - trecho até a Tamoios

Estrada das Pitas – trecho até a Tamoios

Meu objetivo foi a SP-088 no trecho conhecido como Estrada das Pitas. Esse trecho inicia-se em Salesópolis e vai até o meio da Tamoios e posso dizer que foi um trecho bastante instigante para se guiar. Uma boa dose de curvas, praticamente nenhum veículo a frente e algumas descidas em curvas onde o carro ganha velocidade e começa a desgarrar para os mais afoitos. Eu adorei cada trecho, até os que eu mesmo dei uma desgarrada por descuido. Uma estrada bonita e tranquila com asfalto muito bom. Esse trecho por si só já seria um lindo passeio mas…

Porque escolher o caminho mais fácil?

Bom, como todos sabem, moro na capital e bastaria pegar a Ayrton Senna mais Carvalho Pinto e depois descer por Santa Branca até Salesópolis, mas qual a graça nisso? Aqui o passeio é para se fazer de um jeito diferente, pegar uma outra rota, fazer um caminho novo e conhecer novas paisagens. E foi isso que fiz: abri o Google Maps e comecei a analisar o que seria esse caminho diferente e me surgiu esse abaixo.

Trajeto completo de minha viagem até Salessópolis

Trajeto completo de minha viagem até Salesópolis

De acordo com o Maps, bastava eu descer pela Anchieta até o Riacho Grande, entrar na Rod. Caminhos da Mar (antiga estrada velha de Santos), seguir pela Rod Indio Tibiriçá, passar por Ribeirão Pires entrar na SP-043 e seguir até cruzar a Mogi-Bertioga e continuar pela SP-088 até Salesópolis e de lá prosseguir para a estrada das Pitas. Demorado mas fácil né? Só que não e é aí que veio a surpresa.

A Estrada da Adutora – SP-043

SP-043 - A famosa estrada da Adutora

SP-043 – A famosa estrada da Adutora

Eu não tinha a menor ideia do que vinha pela frente e confesso que perdi a entrada da estrada pois eu até vi a placa, mas desacreditei que aquilo poderia ser considerado uma estrada. Dei meia volta, acertei a entrada da mesma e segui o rumo. Pôxa, eu achei que quando o Google Maps pinta de amarelo uma estrada era porque ela seria algo mais que uma simples estrada. Pelo contrário ela era uma estrada de terra onde mal se passavam dois carros de largura com trechos onde haviam sulcos que não me permitiam andar acima de 30 Km/h. Talvez se alguém estivesse comigo, teria me convencido a dar meia volta, mas estava sozinho no dia e fui em frente no mais puro espírito aventureiro. É claro que mais alguns pontos me ajudaram a me manter firme e corajoso. Há semanas não caía uma gota de chuva na região e meu GPS estava funcionando. A estrada era tão simples e sem nenhuma placa de indicação que por diversas vezes eu me confundia com as entradas dos sítios e ruas ao seu redor. Sem o GPS eu teria errado com certeza alguma entrada e talvez me perdido. Houve também uma subida bem ingrime onde fiquei esperando um esperto numa saveiro carregada de tijolos queimar sua embreagem. Acho que se tivesse chovido nem ele e nem eu teríamos subido.

Por outro lado, a estrada foi uma grata surpresa que me rendeu ainda uma pesquisa e aprendizado na internet. Ela é chamada estrada da Adutora pois, justamente, ela anda junto com uma adutora da Sabesp que corre na sua maior parte a céu aberto. Essa parece ser uma estrada usada como estrada para manutenção da Adutora, sei lá. Essa adutora da década de 40, se estende por 86Km e leva a água das represas do sistema Rio Claro até a zona leste da capital de São Paulo. Quem já andou pela Av Sapopemba e reparou numa adutora que corre ao seu lado, estamos falando da mesma estrutura. Descobri também que nesses tempos de volume morto do Cantareira, essa adutora leva água até o bairro da Moóca, antes abastecido pelo Cantareira. Outra opção que existe nessa estrada mas só descobri depois é que existe uma subestação de Furnas (Tijuco Preto) em alguma das ruas que cortam essa estrada. Acho que nem dá para entrar, então não sei se vale a pena o desvio.

No começo dessa estrada, há uma placa da prefeitura de Ribeirão Pires avisando que iniciará as obras para asfaltá-la mas sabe-se lá quando isso vai ocorrer. Os poucos trechos de asfalto que ela possui na verdade são alguns pontos de intersecção com outras estradas. Na verdade o asfalto era da outra estrada, que você anda um pouco por ela para novamente pegar alguma entrada de terra e prosseguir pela SP-043. Creio que o único trecho de asfalto dela foi no distante bairro de Quatinga, distante mesmo pois pertence a Mogi das Cruzes que está bem longe de lá. Depois de Quatinga, ainda tem um pequeno pedaço de terra antes do trevo com a SP-102 perto de Taicupeba. Depois dela, todo o trajeto é de asfalto e valeu a pena o esforço. Estradas pouco movimentadas com bastante paisagem para se ver. Aí foi super tranquilo, cruzei a Mogi Bertioga e continuei sentido Biritiba-Mirim e até Salesópolis.

Nascente do Tietê

Estrada das Pitas - trecho até a nascente do Tietê

Estrada das Pitas – trecho até a nascente do Tietê

Além da região possuir diversas bacias hidrográficas para abastecer a capital e região, a cidade de Salesópolis é famosa por abrigar a nascente de um dos rios mais importantes do Estado de São Paulo, o rio Tietê. Apesar de nascer a menos de 30Km da borda do planalto, ao invés de ele descer a serra e encontrar o mar ele seguiu para o lado oposto e tomando o sentido Oeste segue por mais de 1100Km cortando todo o estado e vai desaguar nas águas do Rio Paraná na outra extremidade de São Paulo. Ao longo de toda a sua trajetória ele ganha volume e se torna uma importante rota de navios da região noroeste do estado. Esse rio possui várias características interessantes como um pequeno cânion entre Santana do Parnaíba e Bom Jesus do Pirapora (a estrada dos Romeiros que comentei lá em cima) , além de uma eclusa em Barra Bonita, além de trechos largos que mais parecem um mar na altura de Sabino. Abriga algumas represas e sofre bastante com a poluição na região de Guarulhos e Capital.

Mas indo para Salesópolis é parada obrigatória no Parque Nascente do Tietê. É um parque não muito grande e seu acesso se dá por uma estrada de terra. Para mim parecia um asfalto, se comparada a SP-043 então não tem problema. Além da nascente do rio, o parque abriga algumas pequenas trilhas para caminhada e na sede possui um pequeno museu que conta a história do rio, quando que descobriram sua nascente e como é a sua água ao longo de seu percurso. Dá para beber água numas torneiras na parte externa da sede que são provenientes da nascente. A única oportunidade de beber das águas do Tietê ainda limpas.

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Depois de toda a história até se chegar aqui, ainda tinha o meu objetivo de seguir pela estrada das Pitas até a Tamoios e voltar para casa pelas rodovias principais. Já estava bem cansado de toda a viagem mas valeu todo o esforço e paisagens que vi.

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